
Chovia....
Na verdade, faz um pouco de frio, mas sempre achei que quando escrevesse meu primeiro livro, o início seria assim...
O escrito está longe de ser o primeiro, mas na forma em que está, é...
Dado ao adiantado da hora, inspirado que fui por "escritos" outros vindos de além-mar, resolvi abrir a porta e ver quem entra...
A visão é de uma casa no alto da montanha, perto de um penhasco que dá para o mar. Não um mar verde, ou azul, mas um mar de cor misturada de azul cor de seda e verde cor de esperança. As janelas de madeira, abertas, deixam escapar as cortinas que são constantemente empurradas pelo vento fraco que sopra desse mar. O cheiro de pão quentinho saído do forno atrai os mais puros sentimentos da infância: aconchego, colinho de mãe, mesa repleta (de comida e de gente), cachorro pedindo comida escondido da mãe (a minha, não a dele) e muito riso...
Tanto riso que o barulho das ondas nas rochas quase fica encoberto, mas o mar é mais forte e pede para participar dessa alegria, desse momento.
O Sol indica pela sombra da aroeira que é hora do café da tarde e o pão quentinho e seu aroma, reforçam o lembrete.
Vem gente de todo lugar, mas a sala da casa é grande e comporta a todos. Gente vai sentando onde pode e quem não pode se sentar, pega seu naco de pão com manteiga, sua canequinha de café e se junta a uma roda já formada, não sem antes cumprimentar com um grande sorriso e um abraço, cada um dos companheiros de café...
Os cães da casa sequer estranham tanta gente, porque já não é mais tempo de estranhar, só de sentir paz e compartilhar o alimento.
Uns falam da colheita das uvas, outros falam do preparo do vinho, outros simplesmente captam a forte energia que vem da casa e deixam-se levar pelo clima de harmonia...
Leon, que viu muitas guerras e muitas pragas assolaram os povoados, refaz sua trajetória e pensa consigo: "Finalmente isso é possível".
Surpreendentemente, uma voz rouca sussurra às suas costas: "Tens razão! Não pensei que esse dia chegaria..."
Quem seria essa mulher que pode ouvir os pensamentos de Leon? Em oitocentos anos de existência ele pensava agora ser o último dos vampiros que conseguira evoluir para viver sob a luz do Sol...
