Nesta tarde pareciam desprendidos do tempo, do local em que estavam... apenas os pensamentos fluíam de uma mente para a outra: um sorriso ou um suspiro mais profundo era sinal do perfeito entendimento da mensagem recebida.
A origem de Fox, o cão vampiro, foi a explicação mais esperada por Leon, pelo menos naquela tarde.
Sarah havia mudado seus hábitos vampirescos. Ao invés de causar dor e sofrimento aos humanos, saciava sua sede de sangue com animais. Animas de grande porte, de pequeno porte, domésticos, selvagens, foi assim que Fox deixou de ser um "pet" bem cuidado para se tornar o cão-vampiro que acompanhava Sarah por todos os passeios.
Com o tempo, Sarah foi apurando seu paladar e apesar de sentir o cheiro do sangue pulsando nas veias humanas, controlar seus instintos primários foi tornando-se cada vez mais fácil.
Como um efeito colateral, Sarah percebeu-se cada vez mais resistente à luz do dia. A descoberta desta mudança ocorreu como que por acaso, quando sua moto ficou sem combustível e ela precisou caminhar dez quilômetros até sua casa. O sono impediu que calculasse a distância corretamente e o nascer do Sol encontrou-a no meio do caminho. Seus dons vampirescos de velocidade foram usados com agilidade, instintivamente. Foi apenas quando adentrou seu quarto escuro que percebeu que os raios do Sol não havia queimado sua pele alva.
- Talvez eu não tenha recebido a luz do Sol diretamente...
O tira-teima aconteceu quando no dia seguinte, resolveu dar um passeio, em plena luz do dia. Seu relógio marcava meio-dia. A surpresa agradável do calor do Sol em contato com a pele fez com que Sarah chorasse. Não foi um choro de pavor, de receio. Foi um choro de saudades, saudades do tempo de infância passada na popa do navio de seu pai, cruzando o Mar Mediterrâneo...Sua pele alva ia ganhar aquela cor característica dos habitantes humanos das regiões tropicais.
quinta-feira, 29 de janeiro de 2009
quinta-feira, 8 de janeiro de 2009
O primeiro encontro
Sarah era seu nome...
De pele macia, aveludada da cor de canela e com o mesmo perfume. Os olhos azuis como a turmalina, de um brilho profundo como não via há muitos anos...centenas prá ser mais preciso.
Ela não vinha só, trazia no seus braços um bichinho peludo, não identificado no primeiro momento.
Os olhares se cruzaram e o campo magnético do ambiente tornou-se mais intenso.
- Como você pode? Sussurou Leon.
- Da mesma forma que você... nossas habilidades são comuns, temos a mesma origem.
- Existem outros como nós?
- Que suportam o Sol? não sei, pensei ser a única, fico feliz em encontrar você. Os dias são cada vez mais solitários e ao mesmo tempo perigosos para os que se aproximam de mim.
- E esse cãozinho? Também é como nós?
- Vampiro? Sim... Veja as manchas sob a boca... ainda bem que seu pelo é bem escuro, disfarça o sangue...
Assim descrito parece um curto diálogo, mas para Leon, aqueles poucas palavras trocadas representavam a ruptura de uma eternidade de ecos, de monólogos interiores, de pensamentos jogados ao vento, sem encontrar outra mente que pudesse receptar a frequencia de seus pensamentos...
Enquanto Leon falava como se fosse um ventríloquo, pois tanto ele quanto Sarah conseguiam ler os pensamentos um do outro, seus olhos escaneavam o corpo de Sarah.
Com seus poderes sobre-humanos, Leon conseguia perceber a alteração nas moléculas que exalavam do corpo de Sarah.
Se essas moléculas fossem representadas por cores, logo ao encontrá-la, as cores "exaladas" estavam com tendência ao azul, e depois deste quarto de hora, as cores eram predominantemente vermelhas... O que para vampiros, é bastante sugestivo!
Leon sentiu uma energia extra no ar, e para evitar que a situação saísse do seu controle, resolveu despedir-se e voltar para casa.
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