quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

A explicação

Sarah e Leon encntraram-se novamente. Há quem diga que foi ao acaso, Leon não... 

Nesta tarde pareciam desprendidos do tempo, do local em que estavam... apenas os pensamentos fluíam de uma mente para a outra: um sorriso ou um suspiro mais profundo era sinal do perfeito entendimento da mensagem recebida. A origem de Fox, o cão vampiro, foi a explicação mais esperada por Leon, pelo menos naquela tarde. Sarah havia mudado seus hábitos vampirescos. Ao invés de causar dor e sofrimento aos humanos, saciava sua sede de sangue com animais. Animas de grande porte, de pequeno porte, domésticos, selvagens, foi assim que Fox deixou de ser um "pet" bem cuidado para se tornar o cão-vampiro que acompanhava Sarah por todos os passeios. Com o tempo, Sarah foi apurando seu paladar e apesar de sentir o cheiro do sangue pulsando nas veias humanas, controlar seus instintos primários foi tornando-se cada vez mais fácil. Como um efeito colateral, Sarah percebeu-se cada vez mais resistente à luz do dia. A descoberta desta mudança ocorreu como que por acaso, quando sua moto ficou sem combustível e ela precisou caminhar dez quilômetros até sua casa. O sono impediu que calculasse a distância corretamente e o nascer do Sol encontrou-a no meio do caminho. Seus dons vampirescos de velocidade foram usados com agilidade, instintivamente. Foi apenas quando adentrou seu quarto escuro que percebeu que os raios do Sol não havia queimado sua pele alva. - Talvez eu não tenha recebido a luz do Sol diretamente... O tira-teima aconteceu quando no dia seguinte, resolveu dar um passeio, em plena luz do dia. Seu relógio marcava meio-dia. A surpresa agradável do calor do Sol em contato com a pele fez com que Sarah chorasse. Não foi um choro de pavor, de receio. Foi um choro de saudades, saudades do tempo de infância passada na popa do navio de seu pai, cruzando o Mar Mediterrâneo...Sua pele alva ia ganhar aquela cor característica dos habitantes humanos das regiões tropicais.

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