- Calma, sente-se e espere um pouco! Você não precisa ter pressa: tem todo o tempo do mundo...
Essas palavras, ditas, ou melhor, pensadas por Michelle chegaram até Sarah como um cobertor que aquece alguém que chega em casa vindo de uma noite fria.
Lentamente Sarah virou-se para Michelle, mas seus olhos foram ofuscados pelos primeiros raios da luz do Sol, que despontava.
O pavor tomou conta dos pensamentos de Sarah: ela se lembrava que a Luz do Sol e vampiros não eram uma boa combinação. Foi acalmada por Michelle:
- Esse não será o primeiro susto que você leva nessa nova fase, tampouco será o último, pois às vezes nossas lembranças da fase anterior vêm à memória e esquecemos da nossa condição e desse novo poder que nos foi dado: o de poder conviver normalmente sob a luz do Sol. Aos poucos você saberá como atingimos essa condição e poderá tirar dela todo o proveito.
Sarah só conseguia pensar: "É incrível!" Se eu soubesse dessa possibilidade antes, teria me transformado há muito tempo.
- Mas não pense que tudo são lírios! O tempo que nos é dado como presente, também é um fardo muito pesado. Imagine quantos amores não pudemos salvar, quantas guerras foram começadas e encerradas por motivos fúteis, quantos "falsos profetas" "salvadores da pátria" foram aclamados e depostos, quanta decepção esse corpo já viu, ouviu e sentiu pelas emanações?
Longe de ser um presente, essa é uma responsabilidade grande que temos: servir como ponte para os acontecimentos e principalmente relembrar experiências mal sucedidas, disse Michelle.
Mas chega de falar tanto assim, você está com muita sede e antes que pense em provar da água do mar, você precisa beber um pouco do meu sangue, para completar a transição.
Como a garganta, a boca, e os lábios de Sarah estavam queimando, numa temperatura que ela imaginava ser possível ferver a água, sequer hesitou em beijar o pescoço que Michelle oferecia ao afastar a gola da jaqueta. As marcas feitas por Sarah na sua mordida de há pouco tempo já não estavam mais lá: ela percebeu que o poder de cicatrização e cura dos vampiros era muito grande. Desta vez, o pequeno fluxo de sangue vindo de Michelle provocou um efeito diferente: Sarah sentiu-se aquecida por dentro e por fora e ao mesmo tempo, muito fortalecida. embora isso parecesse impossível, seus sentidos tornaram-se ainda mais aguçados, e ela pensou ouvir uma voz de criança ao longe. Não foi apenas impressão. Ao virar-se, seus olhos poderosos viram uma criança e seu labrador ao longe, chegando naquela praia de águas azuis e seixos arredondados para aproveitar o Sol da manhã: o mesmo Sol que aquecera e iria aquecer por muitos séculos o corpo de Sarah.
É hora de irmos! pensou Michelle.
Sarah fez meia volta e ambas rumaram de mãos dadas para a calçada onde os primeiros banhistas transitavam para a diversão matinal na praia.
As duas mulheres misturaram-se no meio dos passantes sem chamar atenção, exceto pela pureza do azul/verde dos olhos de cada uma...

Ah, se fosse sem o problema "solar", acho que até eu queria me transformar... hehehehe
ResponderExcluirbem boa a história!
beijo