sábado, 3 de setembro de 2022

Um mistério desvendado

"Bancos. Adoro bancos. Não os financeiros, mas os de sangue.
Aqueles onde você pode visitar numa noite de necessidade e se fartar do alimento necessário.
Cada bolsa traz consigo uma história: as dores, as alegrias, os prazeres... tudo fica registrado n'alma e por consequência  no sangue.
É assim que passo horas e horas absorvendo os odores que exalam do sangue de uma pessoa. Principalmente de uma mulher: elas são mais sensíveis e sua almas mais ricas.
Se são mais ricas, trazem mais odores, mais complexos, mais inebriantes."

Com essas frases Leon iniciava um ritual, estranho para muitos, porém para os de olfato apurado como ele, e para um nativo francês, fazia muito sentido.
Para ele dentre os sentidos, o olfato era o mais importante e o que mais trazia informações sobre uma pessoa.
E como ele se preocupava com sua condição vampiresca e o fato de eventualmente ter que matar para saciar sua fome, os bancos de sangue pareciam um alternativa equilibrada.

Até que ele tocou "aquela" bolsa com sangue.

Os odores que exalavam remetiam a uma alma em dúvida, sofrida, boa, mas em uma bifurcação na vida. Dentre as várias disponíveis, aquela chamou a atenção e a imaginação de Leon.

Era uma mulher. Morena. Mas Leon captou o aroma correspondente aos colorantes aplicados para tingir cabelos na cor ruiva.
Essa percepção deu asas à sua imaginação. Não por coincidência a cor vermelha (e suas derivação) provocavam uma excitação adicional em Leon...

Imaginava-a alta, nem magra nem gorda. Cabelos longos, ondulados, encaracolados. Olhos claros, talvez verdes, mãos e dedos finos, unhas compridas. como ele sabia tudo isso? Pelos sinais incorporados na alma e pelos odores exalados.

Essa mulher estava no auge de sua feminilidade, sabia o que fazer para ter prazer e para provocar prazer.

Além disso, ela sabia do efeito que provocava, a aumentava esse efeito com perfumes escolhidos a dedo, pelo seu perfumista pessoal, Monsieur Jean-Charles Truffaut. 

Em particular, esse perfume que usava quando fez a doação, trazia notas amadeiradas como fundo e um leque de notas frutais como notas de saída. Nada que escapasse para o lado doce e comum dos perfumes femininos e ao mesmo tempo, um pouco seco, não chegando a ser masculino. 

No limiar.

E era justamente o limiar das coisas que atraia Leon.

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