Eles não sabiam de nada. Nem da história pregressa de cada um, tampouco da origem comum do corpo e das aptidões vampirescas...
Leon não lembrava suas origens, de tempos em tempos alguma lembrança, alguma situação déjà vu aparecia, mas ele dava de ombros, sem muito se importar, pensando apenas ser uma coincidência.
Aquela noite, Leon estava em Nice, aproveitando as comemorações do 14 de julho.
O verão fazia com que todos ficassem completamente à vontade, a brisa noturna vinda do mar convidava a todos para um passeio no calçadão para aproveitar a refrescância da maresia. Pares de adolescentes, indiferentes ao volume da conversa que entabulavam, passavam como um atleta de um prova de meio fundo: várias voltas ao redor do circuito do calçadão.
Léon, do alto dos seus 23 anos, respirava cada molécula dos vários odores que exalavam do colo de cada uma das garotas bronzeadas e com diferentes sotaques, que passavam, vindas de diferentes lugares da França.
Como um felino que fica à espreita da sua presa sem saber o perigo que a espreita, servia-se de cada odor da presa. Essa noite ele não passaria sozinho, não naquele 14 de julho.
Aquele era especial: Leon havia conseguido, na véspera, o trabalho que tanto queria: zarparia em 15 dias para uma viagem ao redor do mundo, numa viagem que duraria pelo menos 8 meses. Seu curso de engenharia naval, seria muito bem utilizado no lançamento do navio Espoir, de um dos mais importantes estaleiros franceses. Um trabalho há muito desejado e invejado por muitos dos seus colegas de classe. Mas ele conseguira.
A entrevista final, com a gerente de Recursos Humanos, uma loira muito séria, com olhos incrivelmente azuis, Michelle Lacroix, foi muito longa. A cultura daquela mulher deixara Leon espantado. Ela sabia de coisas que a ele seriam necessários alguns séculos para aprender. Não foi apenas uma vez que Leon teve a nítida impressão que Michelle entrara em seus pensamentos e ele não entendia como aquilo seria possível. Vários aspectos técnicos, aspectos pessoais, musicais, gastronômicos, uma verdadeira bateria de perguntas... A desenvoltura daquela loira em vários assuntos era inacreditável... Por vários momentos Leon imaginou-se na frente de um de seus "professeurs" da Ecole des Mines d´Alès, durante as aulas, porém ao abrir os olhos era Michelle que ele via...
Não foi necessário aguardar dias intermináveis para a resposta: ao término da entrevista que durara duas horas, Michelle decretou que o emprego era dele. A alegria tomou cada célula do corpo de Leon, mas a formalidade do ambiente impedia-o de comemorar como gostaria. Michelle mais uma vez, pareceu ler os pensamentos de Leon e sorriu para ele, como que consentindo com a comemoração mais efusiva que ele gostaria de fazer. Antes que ele soltasse um grito de alegria, foram interrompidos pela secretária de Michelle que avisava da chegada de um alto executivo da companhia de navegação.
"Esse sotaque não é francês", disse Leon a uma linda garota de pele bronzeada e cabelos em tons loiros degradé, efeito provocado pelos dias de exposição ao sol na praia.
"Tem razão, sou inglesa, mas meu pai vive em Nice e sempre passo minhas férias com ele e com minha madrasta. Muito prazer, meu nome é Julie, e o seu?"
Quinze minutos depois dessa apresentação, eles conversavam como se já se conhecessem há anos. Coincidência ou não, Julie tinha muita coisa em comum com Leon: o gosto pelo mar, pelos navios, pelos números e a sensibilidade para os sabores e os odores...
Leon não sabia que aquele era o ticket para a primeira fase de sua viagem sem volta...
Julie olhou discretamente para Michelle e Michelle sorriu, acenando com a cabeça. Mais tarde Leon saberia que este aceno não era obrigatória...
"Pode me acompanhar por favor, Leon?" disse Julie.
Já na sala de Julie, Leon recebeu uma lista em papel muito branco e com uma textura especial que lembrava um pergaminho. Nesta lista, alguns endereços e o nome de alguns documentos que Leon deveria apresentar.
Para sua surpresa havia ainda, preso por uma presilha de metal, um pequeno cartão que mais parecia um convite, com um endereço, um horário e o clássico RSVP dos franceses.
Rue Louis Pasteur, 71. 20h
Antes que Leon pudesse perguntar qualquer coisa, Julie antecipou-se e disse: Michelle vai oferecer uma festa e vai recepcionar os novos integrantes da nossa empresa, no caso, você!
Um pouco perplexo, Leon agradeceu com um sorriso e partiu com os pensamentos misturados em um misto de alegria e perplexidade, com uma pitada de medo pelo cenário desconhecido que se desenhava!

Interessante... um pouco semelhante à uma outra história que eu conheço,não!??!?
ResponderExcluirhehehe
Vi Crepúsculo ontem... a descrição da parte dos cheiros parece igualzinha...
beijos
Eles copiaram de minha estória....
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